Os bancos aumentaram a expectativa de inflação para este ano. Segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira, 4, pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a previsão é que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche 2011 em 6,3%, apenas 0,2 ponto percentual abaixo da meta oficial de inflação para este ano. Em março, a projeção estava em 5,8%. A estimativa para o acumulado do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) passou de 6,8% em março para 6,9%.

A pesquisa ouviu 32 analistas de instituições financeiras entre os dias 28 de abril e 3 de maio. De acordo com o economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg, a previsão dos bancos leva em consideração que as medidas adotadas pelo governo para conter a inflação devem continuar produzindo efeitos nos próximos meses. “Nos próximos números você vai continuar vendo os efeitos dessas medidas macroprudenciais”.

O economista ressaltou que, com base na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, os bancos passaram a prever uma política de juros altos por um período mais prolongado. A perspectiva é que ocorram dois aumentos de 0,25 ponto percentual ainda neste ano, levando a Selic (taxa básica de juros) para 12,5%.

A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) teve uma ligeira revisão para baixo, de 4,2% em março para 4,1% no levantamento deste mês. A maior queda foi verificada nas expectativas para o PIB industrial, de 4,3% para 4%.

Em relação à expansão do crédito, a expectativa caiu de 17,4% na pesquisa anterior para 16,7%. Segundo Sardenberg, efeito das medidas fiscais e monetárias adotadas ao longo dos últimos meses para reduzir o volume de empréstimos. O economista destacou que a modalidade mais afetada foi o financiamento de veículos, que deve crescer 15,4% este ano.

O câmbio deve continuar valorizado, segundo o levantamento. A expectativa das instituições financeiras é que o dólar feche o ano valendo R$1,62. Nesta quarta, 4, a moeda americana está cotada a R$1,60. “Provavelmente, todas essas ações do governo vão moderar a valorização do real, mas ela vai continuar”, afirmou o economista.